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O financiamento coletivo pode ser a saída para alavancar a criação de futuras empresas no Brasil
"A ideia é fazer com que a dona de casa, o profissional autônomo e o estudante também sejam capazes de financiar o projeto de um novo negócio no qual eles acreditam".
Conhecido como crowdfunding, o modelo consiste em arrecadar fundos provenientes de uma quantidade mínima de pessoas interessadas em financiar ideias de negócios ou projetos sociais — uma alternativa ao financiamento tradicional oferecido por instituições financeiras.
Para viabilizar o modelo, ainda incipiente, é preciso definir os primeiros passos da iniciativa. Um deles seria estipular um valor mínimo do investimento por pessoa e pequeno investidor, para formar uma "mini bolsa de valores".
No exterior, o crowdfunding de empresas — conhecido como crowdfunding equity — já movimento milhões, enquanto no Brasil apenas uma pequena parcela deste valor caminha neste sentido. A ideia ainda é muito nova por aqui, para quem o fomento do governo às empresas deve ficar no passado. "O empreendedor precisa buscar recursos em parcerias e por iniciativa própria".
A indústria da economia criativa, ligada à geração de valor através do capital humano, tem grande potencial de crescimento pelo financiamento em grupo. A estrutura das empresas criativas é diferente do modelo industrial. Não há mais organização hierárquica, e sim estruturas participativas, sem subordinação e mais autonomia nas relações de trabalho, o que reduz os custos, observou.
A indústria de jogos e aplicativos no Brasil é uma das que mais leva consigo o maior potencial para multiplicar investimentos e empregos na economia criativa.
A indústria de softwares e ideias ligadas a eventos que estimulam a geração de grandes negócios concentram as maiores oportunidades da indústria criativa no País. É preciso acreditar no potencial da economia criativa porque ela se diferencia da indústria tradicional, pela capacidade de produzir mais com menos recursos.
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A grande ideia de Mike Whitehead era criar uma frigideira de ferro fundido melhor, a de Stephanie Turenko era fazer um filme animado sobre a sua avó ucraniana e a de Colin Owen era fabricar um farol de bicicleta difícil de roubar.
Muitos de nós temos ideias assim, incubadas enquanto olhamos pela janela ou rabiscamos em um guardanapo durante um coquetel. E é aí onde os sonhos terminam, definhados pela falta de capital, de credibilidade e de confiança.
-Leia também: Crowdfunding pode ser o futuro da indústria criativa no País
O financiamento coletivo, contudo, está ajudando frigideiras de ferro ou outras grandes ideias a se tornarem realidade.
O que começou como um punhado de sites promovendo os projetos prediletos das pessoas se transformou em centenas de plataformas que servem como veículos não apenas para arrecadar recursos — o recorde é de US$ 10,2 milhões —, mas também para o desenvolvimento do produto e a pesquisa de mercado.
Porém, ter sucesso no financiamento coletivo não é tão fácil quanto levantar a mão e dizer que precisa de dinheiro. Isso exige estratégia e energia, embora um apelo sincero ainda possa triunfar contra o mais esperto dos concorrentes.
"Muitas pessoas acham que, se elas colocarem o projeto no Kickstarter, o dinheiro começará a se materializar", afirma Whitehead, que usou a plataforma de financiamento coletivo Kickstarter no último outono do Hemisfério Norte para arrecadar US$ 211.027. "Não é tão fácil quanto parece".
As campanhas de financiamento coletivo de sucesso, quase sempre de 30 dias, levam vários meses de preparação.
Com a ajuda de um designer industrial, Whitehead primeiro passou seis meses desenvolvendo um protótipo da frigideira no seu porão em Portland, Oregon, a fim de que ele pudesse ter algo para mostrar aos possíveis financiadores. Ele depois passou outros quatro meses se comunicando com os amigos e familiares, assim como com as publicações de culinária, tecnologia e de design, os alertando sobre a sua futura campanha no Kickstarter.
Embora o Kickstarter seja para o financiamento coletivo o que a Kleenex é para os lenços, existem muitos outros sites com alto tráfego que realizam funções semelhantes, como o Indiegogo, o RocketHub e o Crowdtilt. Existem alguns sites de nichos como o PubSlush, que cuida dos aspirantes a escritores, e o Appbackr, que é o lar dos desenvolvedores aspirantes de aplicativos.
Eles diferem não só nos tipos de projetos apresentados, mas também na estrutura dos custos, na cobertura geográfica e se você pode ficar com o que você arrecadar ou se perde tudo caso não atinja a sua meta de arrecadação de recursos.
Turenko, que é de Toronto, mas está ensinando inglês na Eslováquia, escolheu o RocketHub para angariar dinheiro para o seu filme animado. "Eles cobram uma porcentagem maior, se você não atingir a sua meta, mas você realmente consegue ficar com o que você levanta", destaca. Isso é muito diferente do Kickstarter, onde você pode perder tudo caso não atinja a sua meta.
Há também um número crescente de sites particulares de financiamento coletivo, como o Crowdfunder e o CircleUp, onde os investidores podem comprar ações das iniciantes em vez de apenas fazer uma doação.
Independente de qual plataforma escolher, tenha em mente que as pessoas não apoiam projetos aleatoriamente.
Muitos na multidão são os primeiros adeptos da tecnologia, e adoram observar como uma grande ideia se transforma em um produto de fato que eles, como patrocinadores iniciais, sempre recebem primeiro como uma recompensa pela doação. As plataformas de financiamento coletivo não gostam de chamar isso de pré-pedido, já que não existem quaisquer garantias, contudo, isso é essencialmente o que acontece.
"Não apresentamos produtos que já estão completos e repousando em uma prateleira qualquer, embalados e prontos para o envio", exemplifica o cofundador do Kickstarter, Yancey Strickler. "Na verdade, você participa de algo que vai nascer. Você encontra os criadores e acompanha o processo desde o começo".
Não surpreendentemente, uma apresentação clara e concisa da sua ideia através de vídeo, de ilustrações e de textos é essencial. Se coloque no lugar de um suposto investidor dando uma olhada nos projetos. Você tem talvez 30 segundos para chamar a atenção e menos que isso para perdê-la.
Há todo um sistema de suporte no financiamento coletivo, com produtores de vídeo, editores e outros consultores listados em sites como o CrowdCrux, caso você precise de ajuda.
"Um único erro de ortografia reduz as chances de sucesso em 13%", alerta Mollick da Wharton. Estranhamente, a sua pesquisa também indica que mencionar o quão nerd você é, e falar de Star Wars, parece ajudar — um indício do tipo de pessoas que circulam os mais populares sites de financiamento coletivo.
Por outro lado, o seu público também é composto por investidores de capital de risco, que veem uma campanha de financiamento coletivo de sucesso como prova de que a sua grande ideia vale a atenção deles. Owen conta que não considerou iniciar uma campanha de financiamento coletivo para os faróis antifurto para bicicletas até que um investidor de capital de risco lhe disse que não consideraria investir antes do início da sua campanha.
"Eu sentia que o financiamento coletivo era como fazer uma venda de bolos para financiar a sua empresa e o que acabei percebendo é que não era tanto o dinheiro e sim a validação ", reforça Owen, que mora em São Francisco e levantou US$ 66, 3 mil no Kickstarter em novembro.
Com a credibilidade transmitida pela multidão, ele conseguiu obter um empréstimo do SBA para pagar a primeira produção dos seus faróis, que ele prometeu a 500 pessoas no Kickstarter em troca de apoio financeiro. Além disso, os investidores de capital de risco estão agora batendo à sua porta em vez do contrário.
Porque ele tentou demonstrar mais a demanda do que encontrar o dinheiro, a meta de financiamento coletivo de Owen de US$ 45 mil dólares foi baseada no que projetos semelhantes conseguiram arrecadar, em vez do que ele na verdade precisava para fabricar o produto.
Rachel Gant e Andrew Deming, contudo, solicitaram à multidão US$ 20 mil dólares porque isso era precisamente a quantia que precisavam para fabricar a grande ideia deles: sacolas que, ao abrir os zíperes, se transformam em cobertores de piquenique. Eles arrecadaram US$ 25.765 no Kickstarter e agora, dois meses depois, estão enviando sacolas para os financiadores como prometido.
"Não fomos ao banco porque decidimos que queríamos criar uma comunidade em volta da nossa nova empresa de forma que as pessoas ficassem mais interessadas e engajadas", afirma Gant, que mora em São Francisco. "Também foi um tipo de pesquisa para ver como as pessoas reagiriam ao produto".
Ela disse que recebeu sugestões de cores e também descobriu que o produto atraía particularmente mães com filhos pequenos, e que podia usá-la como uma sacola de brinquedos e um tapete de despertar.
"Nunca teríamos pensando nisso porque não temos filhos; se simplesmente fizéssemos o empréstimo através do banco, não teríamos esse tipo de interação com as pessoas".
Os especialistas em financiamento coletivo e os veteranos do processo concordam que esse envolvimento com os financiadores em potencial, juntamente com uma visão clara e a crença sincera em um produto são marcos das campanhas de sucesso; no entanto, acima de tudo, a sua grande ideia tem de ser uma boa ideia.
"Se você não tiver uma boa ideia, até mesmo as campanhas de financiamento coletivo mais espertas não decolarão", disse Whitehead, autodenominado como empreendedor em série, que atualmente está supervisionando a fabricação de 1.550 frigideiras de ferro da pré-venda no Kickstarter. "Você pode participar de aulas de marketing, conseguir um MBA, mas exponha-o à multidão e aprenderá a física da iniciativa própria bem rapidamente".
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